
- ESCOLHA DO EDITOR
- 2010 · 52 faixas · 2 h 19 min
Romeo and Juliet
Op. 64 · “Romeu e Julieta”
Hoje, graças a Romeu e Julieta, de Sergey Prokofiev, um balé de longa duração pode parecer algo simples. Mas a ideia de traduzir um drama como a peça de Shakespeare para dança era bastante audaciosa – e quase não poderia ter sido realizada sem a experiência anterior de Prokofiev em compor óperas e sinfonias longas, além de balés (mais curtos) para as escolas russas. Considerando a característica violenta de muitas dessas obras iniciais, incluindo seus balés Chout e as Sinfonias Nº 2 e Nº 3, talvez não tenha sido uma surpresa Prokofiev trazer um poder combativo para a música de luta. Mas seu novo lirismo, revelado em O Filho Pródigo, de 1929, se consolidou com o retrato de Julieta no início da vida adulta e a paixão dos jovens amantes. Prokofiev também usa cores instrumentais para refletir a ambientação italiana da história – com os bandolins, mais óbvios, mas também com composição para os metais, em um estilo que evoca a tradição das bandas italianas, de forma mais impressionante no luto catártico e na fúria de “Morte de Teobaldo”. Embora tenha sido originalmente composta em 1936 com um final feliz, Prokofiev descartou rapidamente a alteração ao texto de Shakespeare. Quando, em 1938, começaram as discussões para sua primeira e bem-sucedida montagem na União Soviética, em Leningrado – para a qual Prokofiev compôs mais algumas danças –, ele já havia criado o final trágico, a tempo para a estreia em Brno (então Tchecoslováquia) naquele ano.