Sinfonia n.º 8 em dó menor

WAB 108 · “Apocalíptica”

Após a triunfante estreia de sua Sétima Sinfonia, em 1884 (depois de anos de negligência), a reação de Anton Bruckner foi se fechar e tentar confrontar os próprios demônios. O nervoso tema de abertura da Sinfonia Nº 8 está bem distante da serena visão inicial da Sétima; a partir daí se desenvolve um primeiro movimento envolvente, que termina com uma fria invocação da mortalidade. Um “Scherzo” emocionante vem a seguir, com um “Trio” central que remete ao mundo solitário e problemático de Lieder, de Schubert – que Bruckner adorava. Um longo “Adagio” vem na sequência, por vezes belo, mas repleto de anseios não resolvidos. Depois de muita busca, a sinfonia chega a um clímax deslumbrante, no entanto termina em algo próximo à resignação. O enorme movimento final é uma espécie de campo de batalha espiritual, mas aqui, particularmente, é preciso paciência. Depois de muitas perturbações e ataques de cavalaria, o esforço parece dar em nada muitas vezes e a terrível lembrança do primeiro movimento aparenta paralisar tudo. Mas disso emerge uma coda magnífica, que culmina na fusão dos temas dos quatro movimentos, sob os quais Bruckner escreveu a palavra “Hallelujah!” (Aleluia). De alguma forma, esta extraordinária sinfonia achou um significado mesmo em meio à escuridão e ao desespero. Como afirmação da fé religiosa de Bruckner, é algo sem paralelo.

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