O primeiro álbum da pianista britânica Isata Kanneh-Mason é uma homenagem à pianista e compositora Clara Schumann (1819-1896). “Eu ouvi primeiro o segundo scherzo dela e fui completamente atraída pela sua sonoridade apaixonada e incendiária”, diz Kanneh-Mason ao Apple Music. “Eu não podia acreditar que eu ainda não conhecia a música dela, então, quando eu descobri que [2019] era o ano do seu bicentenário, me pareceu o momento perfeito para um projeto como este.” A pianista espera que esse tipo de música se torne parte do repertório standard. “Eu definitivamente quero revisitar a música de Clara Schumann durante toda a minha vida”, diz ela. E você não pode imaginar uma entusiasta mais empolgada do que Kanneh-Mason: aqui ela se mostra tão boa instrumentista de câmara quanto solista, uma qualidade bastante incomum. Abaixo a estrela em ascensão da música clássica comenta este álbum ricamente variado e cheio de insights musicais.
Piano Concerto in A Minor, Op. 7
“Schumann começou a compor o seu concerto para piano aos 13 anos, e eu fiquei maravilhada com a complexidade e virtuosidade desta obra. Não apenas ela escreveu a música como também podia interpretá-la naquela idade, o que é muito impressionante. Parte da composição para piano é bem desajeitada: lembra Chopin, mas é tão gratificante interpretá-la. A Royal Liverpool Philharmonic estava incrível durante as gravações, e nós tivemos ideias semelhantes de como abordaríamos a obra.”
3 Romances for Piano, Op. 11
“Os três romances foram uma das primeiras obras de Clara Schumann. A música é bem simples e tem um estilo infantil. Mas há também um sentimento de melancolia por trás— Clara compôs os romances um ano antes de se casar com Robert Schumann, e ela estava num momento bem difícil [o pai dela tentou impedir o casamento]. Eu os considero muito poderosos.”
Scherzo Nº 2 in C Minor, Op. 14
“Esta foi a obra que me atraiu para a música de Clara Schumann. Eu ouvi o scherzo pela primeira vez em 2018, e achei muito empolgante e ardente. A maneira como ela usa a tensão harmônica é bem agitada, e eu adoro isso. É uma obra curta, mas bastante densa. Esta foi provavelmente a obra mais difícil de gravar, pois demanda muita energia e paixão. Quando é preciso repetir várias vezes seguidas, se torna muito cansativo!”
3 Romances, Op. 22
“Eu sempre admirei a maneira de tocar da violinista Elena Urioste e achei que ela tinha a sonoridade perfeita para estes romances. Ela tem uma ótima intuição para música de câmara — apesar de ser a primeira vez em que tocamos juntas, nós nos conectamos rapidamente. Na verdade, eu prefiro tocar música de câmara do que interpretar solo, porque você não está sozinha no palco e pode aproveitar a energia do seu companheiro ao lado.”
Myrthen, Op. 25: 1. “Widmung” (Arr. Clara Schumann) and Liederkreis, Op. 39: 5. “Mondnacht” (Arr. Clara Schumann)
“Eu queria que Robert Schumann e a importância dele na vida dela estivessem representados no álbum. Ela editava as músicas dele e corrigia os erros. Eu gosto dos arranjos para piano dela, pois ela mantém a simplicidade das músicas sem incluir floreios desnecessários, e consegue captar a sua beleza essencial. ‘Widmung’ (‘Dedicação’) possui esse grande aspecto veloz e é muito ardente, enquanto ‘Mondnacht’ (‘Noite de Luar’) é bem mais tranquila. Mas cada uma tem a sua beleza.”
Piano Sonata in G Minor
“Esta sonata só foi publicada depois que ela morreu, o que é bem interessante. Ninguém descobriu o motivo, mas parece que ela a compôs como presente de Natal para Robert Schumann, no começo do casamento deles. Todos os quatro movimentos são razoavelmente curtos, mas musicalmente muito complexos. É uma pena que ela nunca tenha tocado esta sonata pois é uma grande obra. É um desafio tocá-la, mas é muito gratificante.”