Trio para piano n.º 2 em mi bemol maior
Os dois trios para piano de Schubert foram compostos no final de 1827, cerca de um ano antes da morte do compositor aos 31 anos. E estas obras meio gêmeas apresentam os dois lados da mesma moeda: o Nº 1, em si bemol, é extrovertido e alegre, enquanto o Nº 2, em mi bemol, é mais sério e dramático. O segundo começa com uma figura contundente em uníssono da qual se desenvolve o “Allegro” em escala sinfônica. O andamento lento do piano lembra o começo de Winterreise, composta no início daquele ano, e se torna o acompanhamento de uma melodia baseada em uma canção folclórica sueca. O enigmático “Scherzo” é um cânone: cada voz entra na sua vez, como em uma rodada. O final começa despretensiosamente, com o tema que se alterna com uma música mais quadrada, como uma marcha, cuja melodia passa pelos três instrumentos e que remete à canção folclórica do movimento lento. Depois da estreia da obra, Schubert teve que cortar quase cem compassos do final para torná-lo mais administrável. Mas algumas gravações usam o material descartado, que revela, em uma demonstração emocionante de domínio técnico, uma passagem em que a “marcha” e a canção folclórica do movimento lento são executadas ao mesmo tempo.
