Nabucco

Nabucco, a ópera que lançou a carreira de Giuseppe Verdi, quase não foi escrita. O fracasso de sua ópera anterior, Un giorno di regno (Rei por um Dia), em 1840, que coincidiu com a morte de sua esposa e seus dois filhos, o deixaram sem nenhuma disposição para compor. Foi a insistência do empresário Bartolomeo Merelli que o convenceu a trabalhar o libreto de Temistocle Solera no verão e no outono de 1841. A estreia no La Scala, em Milão, em 9 de março de 1842, foi um enorme sucesso. Mesmo com as críticas – como a do compositor Otto Nicolai (que rejeitou o libreto em primeiro lugar) –, Nabucco se tornou o modelo para a ópera italiana de meados do século XIX, posicionado entre a estilização da “grand opera” e o imediatismo do verismo. O cenário, que se divide entre Jerusalém e Babilônia, revela o cativeiro dos israelitas, o enlouquecimento de Nabucodonosor, sua conversão ao judaísmo e a subsequente libertação dos judeus. Um dos papéis mais notáveis é o de Abigaille, interpretada na estreia por Giuseppina Strepponi, que mais tarde virou a segunda esposa de Verdi. A abertura ganhou popularidade nas salas de concerto, enquanto “Va, pensiero” se tornou onipresente em funerais italianos e ocasiões patrióticas – chegando até a ser proposto como um hino nacional alternativo.

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